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domingo, 16 de outubro de 2011

As críticas ao Fora do Eixo

Há um m.m.c. entre as posições de Álvaro Pereira Júnior, China e Arbex, em suas criticas ao Fora do Eixo: o FdE atua como produtor, usando dinheiro público. E, como “todos sabem”, já tem gente cuidando da lojinha. Profissionais privados e competentes...Então, pau no FdE. Quer pedir dinheirinho pro teu eventinho, pro teu festivalzinho, pelos contatos da tua família, via Rouanet, tudo bem, isso é a saudável tradição brasileira. Agora, botar dinheiro público numa estrutura de produção “fora do eixo”, composta por coletivos???? Meu deus, isso é tão aberrante quanto o estado..., sei lá, apoiar uma rede de supermercados cooperativada pra distribuir a produção dos pequenos produtores rurais!!! Que Deus nos Livre de tamanha afronta à liberdade, ao direito de ir e vir entre às gôndolas do Pão de Açúcar da vida. O que o Arbex acharia um entreguismo capitalista dos míticos revolucionários campesinos.

Álvaro Pereira Júnior - Folha de São Paulo, 15/10/2011 (acesso só para assinantes)
José Arbex Jr -
http://psolcomcultura.org/2011/08/15/brasil-lulismo-fora-do-eixo/
(originalmente na Caros Amigos)
China -http://www.pernambuco.com/diversao/nota.asp?materia=20111003103907


E os comentários no Facebook:


Rodrigo Savazoni
Muito boa reflexão Leandro. De um lado, a tradicional visão do self-made, que o Brasil importa sem filtro crítico. Do outro, a esquerda que um dia foi trotskista que se escora em um extremismo que a faz dar a volta no espectro ideológico e se aliar com o mais conservador conservadorismo. Essa aliança não enxerga os deslocamentos, os fluxos, as formas complexas da "vida capital" e das biolutas. Não percebe que, na sociedade do controle, estamos todos dentro, mesmo quando queremos estar fora. E talvez seja somente pelas bordas do eixo que consigamos reorganizar a ação, dispondo de meios de produção para uso coletivo (meios de produção na mão dos trabalhadores, neste caso, produtores de símbolos contemporâneos).

Leandro Saraiva
É uma tristeza, né, a miopia do Arbex e da turma do Passapalavra (nem falei deles - quanta pompa, quanta teoria, tão mal usada, pra chegar numas coisas descoladas dos processos reais, que por mais complexos e ambiguos que sejam, tem a grande vantagem de serem REAIS!). As críticas do Pereira Júnior eu acho um bom sinal: a água tá batendo na bunda da corte, hehe. Sobre as sacadas da biopolítica, Rodrigo, eu acho que tocam em pontos crucias da nossa vida, e têm cumprido um papel teórico-prático interessante, de juntar pontas de movimentos contemporâneos. Mas também acho que às vezes se cai num exagero explicativo, dando um salto rápido demais pra uma síntese, tanto no diagnóstico do mundo atual (complexo pra cacete) quanto pras bandeiras de luta. Daí é mais lamentável ainda a miopia da esquerda tradicional, porque acho, sim, que vale a pena prestar atenção - como pergunta, não como resposta, muito menos como acusação dogmática - nas questões marxistas (por exemplo, acho que o papo do "trabalho imaterial", do Negri & cia, é muito frouxo, e vale a pena tentar pensar em processo de valorização, no sentido marxista, pros bens simbólicos. Mas, pôxa, já é coisa demais prum post do Face, né? (autoironia sobre nossas ferramentas digitais, hehe). Tem muito papo e ação pra frente. Pra frente, amém. Abração, cara. Só não vou lá na FdE hoje porque operei o joelho na quinta literalmente, o peso da idade). Semana que vem eu vou.

Marcelo Ikeda a potência dos chamados "nichos de mercado" (inclusive econômica, claro...) realmente assusta, para quem (ainda) está pensando segundo as lógicas tradicionais de produção e distribuição.



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